Nordeste promove importantes festivais literários em agosto

Os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura do ano passado, Estevão Azevedo e Micheliny Verunschk, vão participar em agosto de feiras literárias na região Nordeste para debater sobre suas obras e o cenário editorial brasileiro. Azevedo é convidado do Festival Literário da Pipa (Flipipa), na cidade de Pipa, no Rio Grande do Norte, que este ano homenageia o centenário do escritor e etnólogo Hélio Galvão. O evento acontece de 10 a 13 de agosto e também vai contar a presença de Cristovão Tezza, ganhador do Prêmio São Paulo em 2008, e Ignácio Loyola Brandão, laureado com o Prêmio Machado de Assis recentemente.

Azevedo venceu na categoria Melhor Livro do Ano com o romance Tempo de espalhar pedras. Potiguar, graduado em Jornalismo e Letras, mora em São Paulo onde também atua como editor. Publicou dois volumes de contos, O terceiro dia e O som do nada acontecendo, e o romance Nunca o nome do menino, também finalista do concurso paulista em 2009.

Já Micheliny Verunschk, ganhadora na categoria Autor Estreante com mais de 40 anos com Nossa Teresa – Vida e Morte de uma Santa Suicida, vai estar na III Feira do Livro do Vale do São Francisco. Realizada entre os dias 4 a 7 de agosto em Petrolina, em Pernambuco, a festa literária também conta com a participação de outros autores como Fernando Monteiro, Luís Henrique Pellanda, Antonio Carlos Viana e Miró da Muribeca. Pernambucana radicada em São Paulo, ela é convidada falar sobre o seu segundo romance, Aqui, no coração do inferno, que repensa o Brasil na virada dos anos 70 para os 80.

Saiba mais sobre a programação dos dois festivais no Nordeste nos sites oficiais:

http://www.flipipa.com.br
http://www.feiradolivropetrolina.com.br

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Paula Fábrio e Estevão Azevedo participam de debate na BVL
Foto do Segundas Intenções de Maio na BVL
Foto: Equipe BVL

Neste sábado, 14 de maio, a Biblioteca Parque Villa-Lobos (BVL) recebeu os vencedores do Prêmio São Paulo de Literatura Paula Fábrio e Estevão Azevedo para um encontro literário. Paula venceu na categoria de autora estreante com mais de 40 anos em 2013 com Desnorteio. Já Estevão ganhou na categoria de Melhor Livro do Ano em 2015 com Tempo de espalhar pedras. O bate-papo integrou o programa Segundas Intenções e contou com a medição do jornalista Manuel da Costa Pinto.

A atividade marcou o início da parceria da biblioteca com a revista Pessoa, que é voltada para o universo literário. A publicação sugeriu que os escritores discutissem na BVL sobre o conceito de utopia, em memória aos 500 anos de edição da emblemática obra de Thomas More.  Esta ideia continua a ser evocada por diversas gerações e muito já se construiu em termos literários e filosóficos sobre o tema. O objetivo é problematizar o “lugar” da utopia no mundo contemporâneo.

A editora da Pessoa, Mirna Queiroz, foi convidada a participar da mesa e falou sobre a publicação. Disse que uma revista de literatura é também fruto de uma utopia e que a publicação foi mantida por cinco anos com recursos dos colaboradores. Comentou que atualmente busca uma alternativa de financiamento com um sistema de micropagamentos. “Vamos tentar viabilizar o projeto, existe ainda resistência devido a cultura do gratuito na internet”, disse.

Sobre o tema da palestra, Estevão falou que “toda a utopia é uma construção humana. Embora ela tenha caráter construtivo e trabalhe com o conceito de desejos homogêneos, ignora que os seres humanos são diferentes”, afirmou, ao dizer que gosta do termo como uma crítica as sociedades de seu tempo.

Já Paula afirmou que atualmente as utopias e distopias estão presentes na literatura e no audiovisual, especialmente nos filmes. “Nas pesquisas e entrevistas que venho fazendo para a revista Pessoa, fala-se muito que a utopia é não estar contente com o lugar em que se está”, comentou.

Ainda sobre o debate, Manuel concordou e fez uma longa exposição sobre distopia e utopia. Para ele, estes conceitos refletem o seu tempo. Exemplos não faltam. Na República de Platão, o problema a ser colocado em pauta era o do filósofo-rei. Na idade média, refletia-se a fome que assombrava a Europa e imaginava-se um país de fartura, a terra de cocanha. Thomas More problematizou o emprego (ou a falta dele) no início do renascimento. A Nova Atlântida, romance de Francis Bacon busca a utopia travestida de ciência. Este termo foi revitalizado até chegar a clássicos do século XX como Admirável mundo novo, de Aldous Huxley, 1984, de George Orwell e Fahrenheit 451, de Ray Bradbury.

Na parte final do bate-papo, os escritores também falaram de suas obras. Paula comentou sobre seu mais recente lançamento, Um dia toparei comigo. O livro aborda o poliamor e como uma viagem pode ser uma fuga para os problemas centrais da protagonista, especialmente a morte do pai em virtude de um câncer.

Já Estevão disse que em seu romance Tempo de espalhar pedras buscou uma literatura que não fosse urbana e cosmopolita “Acho que a nossa literatura está muito autocentrada. Os personagens são sempre jornalistas, escritores e artistas. Carece de mais diversidade. É uma autocrítica: eu mesmo já lancei obras assim”.

O próximo Segundas Intenções na BVL vai ser com o escritor e dramaturgo Marcelo Rubens Paiva. A atividade está marcada para o dia 11 de junho, às 15 horas.

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